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sábado, 8 de maio de 2010

As janelas se expandem para além da torre...

   
Abro a bolsa. Não encontro meu pendrive. É noite e não posso voltar para buscá-lo. Sem o arquivo necessário para o término de um serviço já iniciado... de repente é como se me sentisse vazia. Ligo a TV, novela das oito, e a torre Eiffel me aparece na tela. Outro dia, acho que desta mesma semana, era a torre de Belém.

Nem uma nem outra carregam histórias de românticas princesas. Aliás, creio que torres sejam obra antiga de engenharia cuja origem em nada remete a contos de fadas. Mas não consigo fugir à correlação estabelecida inconscientemente pelo meu pensamento. Perdoe-me a ignorância, Mr. Freud, se pensamento e inconsciência forem coisas incongruentes. A verdade é que vejo torres, penso em amores. A Psicanálise há de explicar.

Talvez para livrar-me dessa simbiose semântica e mostrar-me mais racional, dirijo-me à estante em busca de um livro de símbolos*. Encontro clara referência à função defensiva de tal obra arquitetônica. Encontro também uma alusão à presunção humana, simbolizada, sobretudo, pela torre de Babel, na aspereza das palavras ascensão e ambição. Para meu conforto, porém, eis que leio quase ao fim do verbete a expressão de meus pensamentos: “Na arte, a figura da Castidade aparece às vezes numa torre, como ocorre com as donzelas em situação angustiante dos contos de fadas”.

Afetada pela imagem televisiva, afetada pela leitura. O vazio, agora preenchido pelo tumulto do pensar, da imaginação. As janelas se expandem para além da torre. Como é bom que esqueças o pendrive! exclama a voz que se sente liberta.


* TRESIDDER, Jack. O grande livro dos símbolos. Rio de Janeiro: Ediouro, 2003.
     

Torre de Belém (Portugal) - Acervo pessoal