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Talvez motivados pelos recentes escândalos, alguns amigos sugeriram-me escrever alguma coisa em que eu abordasse o preconceito quanto ao sexo.
Gente, olhem bem para mim! Lembram-se de que em nossas famílias sexo era assunto tabu? Mãe não falava nada além de umas noçõezinhas bobas sobre o funcionamento do corpo humano, que ficavam bem aquém das aulas de Biologia, e – o mais importante com certeza! – uma advertência para que sempre seguíssemos o sexto mandamento das tábuas da lei do Catolicismo. Acho que continuo repetindo o modelo. Não sei falar sobre sexo.
Até posso ter cometido o deslize de contar a uma ou duas amigas que, vez ou outra, faço amor comigo mesma. Mas fica apenas na declaração. Sem qualquer instalação mais ampla das instâncias descritivas do texto oral.
Sei falar de literatura. É claro, muito mais pelo aprendido na rua do que pelo ouvido em âmbito familiar. Nesse campo, sim, tenho experiências bem descritíveis. Não queiram, entretanto, fazer-me perguntas difíceis ou obrigar-me a explicações acadêmicas e palestras didáticas. Não sou nenhuma Rita Rostirolla. Detesto debates de crítica literária. Literatura para mim é intensificação do prazer da vida. Só isso.
Na literatura tenho minhas preferências. Uma delas é Gertrude Stein. Mas abro o leque: Clarice Lispector, Cecília Meireles, Alfonsina Storni, Florbela Espanca, outras mais... até Adília Lopes, apresentada há pouco por uma grande amiga. Tudo bem, por conta de Diadorim até trago Guimarães Rosa para dentro deste seleto clube.
Gente, insisto, olhem bem para mim! Não sei falar sobre sexo. Não sei falar sobre preconceito. Aliás, preconceito, tô fora!




